Mercado de trabalho: não dá para ter regras rígidas quando estamos falando de pessoas

Mercado de trabalho: não dá para ter regras rígidas quando estamos falando de pessoas
11 de abril de 2019 Gabriela Ruegger
Funcionários de uma empresa em um escritório caminhando

Resolvi começar meu primeiro artigo trazendo um olhar pessoal, de mulher e de mãe, que contribuíram para que eu pudesse entender que o mercado de trabalho precisa de mais humanização – e isso não significa que o negócio sairá perdendo, pelo contrário.

Para quem não me conhece, sou empresária, professora de pós-graduação, casada e mãe de dois (Davi, de 3 anos, e Marina, de 1 ano). Fiz muita terapia para conseguir abolir a culpa que sentia em ter que sair para trabalhar e deixar a Marina, com apenas 1 mês, em casa. Sou umas daquelas mães que de fato ama trabalhar, mas a sociedade é muito dura com as mulheres. Se você sai para trabalhar, é questionada do por que teve filho se vai deixar que seja educado por babás. Se fica em casa, é acusada de passar o dia sem fazer nada.

Independentemente do tipo de mãe que você é, não se culpe pelo caminho que seguir, apenas siga seu coração e sua personalidade. Como gestora de uma agência de comunicação e marketing voltada à área da saúde, e com relacionamento com tantas empresas, percebo o quanto o mundo corporativo está desatualizado com as questões “femininas”. E diria mais, com as questões individuais de cada um.

Uma mãe tem diversos compromissos, assim como as pessoas em geral. Pode ser que ela tenha que sair correndo quando ligarem da escola avisando que seu filho está doente ou precise faltar ao trabalho quando a babá avisar que não irá trabalhar (porque ela também tem uma filha que está doente).

Ela também vai precisar de tempo quando for ao médico, ou quando a sua mãe/pai/parente for operado, ou quando tiver que levar o carro na revisão, ou quando for assinar um documento no cartório, ou quando pegar uma virose e, por que não?, quando for fazer a unha e arrumar o cabelo.

Sou do tipo de gestora que prefiro a verdade a qualquer outra história e agradeço por ter uma equipe madura que sempre prezou pela verdade. Mas acho que isto é um reflexo do nosso comportamento e das nossas atitudes. Aqui na Latinmed, a única coisa que peço é para que todos façam sua melhor entrega. Se não se sentirem 100% confortáveis com o que estão entregando, não entreguem. Pois certamente o cliente não ficará 100% feliz com o resultado.

E como tenho feito para contribuir com esta entrega?

Primeiro de tudo, é importante contratar pessoas maduras (independente do sexo e se são mães ou não) que sejam auto gerenciáveis, pois, sem isso, as condições abaixo não funcionam. É preciso entender que as pessoas são indivíduos únicos e cada uma delas têm suas próprias necessidades, que às vezes não são compartilhadas por todos. Ou seja: não dá para ter regras rígidas quando estamos falando de pessoas. Em segundo lugar, é bom dar o máximo de suporte. Veja algumas dicas:

1. Oferecer uma estrutura boa para que todos possam trabalhar confortavelmente;
2. Garantir que na cozinha sempre tenha pó de café (eles mesmo sabem fazer) chá, biscoitos, água;
3. Oferecer espaços de descompressão;
4. Ter sempre um ombro amigo para momentos de tensão;
5. Permitir que todos tenham liberdade de expressão (para dizer a absoluta verdade – não vale ser só para inglês ver);
6. Permitir que faltem quantas vezes for necessário (o profissional maduro nunca falta sem um motivo nobre);
7. Permitir que façam home office (é claro que não são todas as profissões que se encaixam aqui);
8. Compartilhar todas as conquistas e as derrotas (somos um time, as coisas boas só são possíveis de serem alcançadas se todos abraçam a causa, e as derrotas fazem parte do crescimento);
9. Encontrar pessoas que compartilham, em suas essências, com a cultura da empresa e que se divirtam muito juntas (trabalhar sem diversão é chato demais)
10. E, por último, garantir o pagamento na data certa.

Posso dizer que, por aqui, estas dicas têm funcionado muito e que tenho um baita orgulho desta equipe. Preciso fazer um agradecimento à Pulse, empresa de gestão de RH, que conheci há três anos e que me fez enxergar o verdadeiro papel do líder. Somos apenas maestros conduzindo uma orquestra. O show a ser aplaudido, é a equipe quem faz.

Somos apenas maestros conduzindo uma orquestra. O show a ser aplaudido, é a equipe quem faz.

Gostou do artigo? Assista também nosso vídeo sobre a mulher e o mercado de trabalho.

Gabriela Ruegger
Empresária, sócia e diretora comercial ELM Marketing e Editora Médica (Latinmed). É formada em direito e mestre em Gestão da Sustentabilidade pela Fundação Getúlio Vargas. Possui especialização em mídias digitais e é professora de Marketing em Promoção de Saúde no MBA de Gestão de Promoção de Saúde e Qualidade de Vida nas Organizações, na Universidade Corporativa Abrange, em convênio com o Centro Universitário São Camilo. Deixa sua alegria por onde passa, sempre acompanhado de uma exclamação “Querida(o)!”